Maconhaaa? No Brasiiiil?
Um antro de hipocrisia, isso que se tornou as redes sociais. Volta e meia, vejo campanhas estúpidas plantadas nesse meio. Uma das últimas, foi a dos personagens infantis como forma de “protesto contra a violência infantil”. Vejam só que incrível, nossos heróis, como Os Cavaleiros do Zoodíaco iriam defender as criancinhas indefesas dos milhões de pedófilos à solta… Isto que é gesto nobre! Só não entendo o que diabos, aquela escória amarela, vulgo Bob Esponja, poderia fazer contra a fúria desses imorais? É, infelizmente vejo que deixei morrer a “criança que habitava em mim”.
A mais nova dentre os censores de plantão foi propor e defender com unhas e dentes o tratamento do ex-presidente Lula, vítima de câncer, no SUS. Como se a culpa de todos os problemas do Brasil fossem do Lula… Se esquecem da herança de grego que o presidente havia herdado, de seu time “competente” por trás de suas ações e da tal diplomacia que – estes tantos defendem, afinal, ela eleva o nome no país – tanto manchou e cerceou o governo petista. Mas o pior de tudo isso, é notar que essa grande maioria que o julga, provavelmente votou nele e, duvido muito que tratariam de um possível câncer no SUS.
E se a crítica desses seres circunspectos beirava o ridículo, agora me faltam adjetivos pra definí-la. “Onde já se viu, um país como o Brasil, permitir a liberação de drogas em um campus universitário?”. Partindo dessa premissa, percebo milhares de pessoas benévolas, que nunca pecam, que são livres de vícios, que vão a igreja todo domingo, que ajudam regularmente instituições de caridades e que lutam por mudanças – mesmo que por meio de seus cliques “ultra-revolucionários” – julgando as ações dessas aberrações, que sem nenhum pudor, mancham a história impoluta de nosso país.
Vejam só que ironia, estes seres que tanto se calaram diante da greve dos Bancários e dos Correios, agora deram de julgar a maconha alheia, a classe social e a “baderna”, que aqueles estudantes da USP em SP causaram ao invadir a reitoria do campus. Já adianto que sou contra violência, que sou a favor da Polícia circulando em qualquer instituição de ensino e defensor ferrenho da liberdade individual de cada um. Sou contra apenas a este burburinho todo fomentado por pessoas de fora da USP. A maioria que os julga, por certo gostaria de estar lá, por certo são mentes incomodadas com seus virtuais fracassos, pois seguidores dos ditames da mídia e da sociedade padrão, cresceram ouvindo e proferindo aquele famoso mantra: “tem que passar em universidade pública pra ser alguém na vida”. Frustrados, não pensam duas vezes antes de apontar o dedo em riste contra aqueles jovens, tidos como “playboys”, “maconheiros” e “rebeldes”. Além de generalizarem, o mais cômico de tudo isso, é que esta maioria que os julgam, não frequentam nenhuma “boca de lixo” aos finais de semana e se querem fazer algo que lhe apeteçam, dão lá o seu jeitinho. O grau de vacuidade é tanto, que esquecem que a instituição que estudam, lecionam ou trabalham, sofre do mesmo mal, com a diferença que, pra não causarem manifestos maiores, se calam adotando a política do “tudo FREE”. Além do mais, se tomam tanto às dores da depredação do “patrimônio público” que vocês financiam sem nenhuma objeção, e que poucos usufruem, o que estão esperando para protestarem?!
E por fim, que eu saiba, protestar nunca foi uma atividade voltada pra essa ou aquela classe, mas sim, um ato dos corajosos, e também, claro, de muitos oportunistas que querem aparecer de alguma forma, seja dentro do caos, ou fora dele, como lamentavelmente temos visto.
E antes de desejarem mal ao presidente Lula – que não é lá flor que se cheire, mas é um ser humano como qualquer outro – e criticarem a postura de estudantes libertinos, apenas tomem cuidado, pois o “tiro pode sair pela culatra”. Norman Mailer tem uma teoria interessante, a da “rebelião das células”, que assevera que o câncer é uma doença square, ou seja, daqueles seres metódicos, cheio de regras, que primam o status quo tradicional e que aderem à política do establishment (cultura estabelecida). Isto se deve em razão da privação e do conformismo adotados por este grupo. A falta de liberdade e de uma postura transitória faz com que as células desse ser estabelecido, se rebelem contra ele próprio.
Antes que contrariem a teoria, apontando que Lula foi líder sindical, não se esqueçam que ele também foi presidente, e apesar de toda pompa e bajulação, o homem-indivíduo se vê privado de muitas coisas. Portanto, seres democratas, defensores da tão aclamada democracia, sejam mais maleáveis e passem a ver com outros olhos as ações que divirjam das suas. Menos julgamentos, menos inveja, menos hipocrisia e quiçá uma ervazinha de vez em quando, não faz mal a ninguém…
