Diário de um Foca
Projetando o futuro, modificando o presente!

dez
06

As quedas sempre marcaram a trajetória do homem. Vimos esquadrões indestrutíveis serem degolados por sua própria soberba. Assim foi com o Império Romano, marcados por embates sangrentos e distintas dinastias. Nesse período, em um curto espaço de tempo, o Imperador Adriano dava mostras de como governar com modéstia e humildade, fazendo com que o império voltasse a prosperar. Queda? Império Romano? Adriano, O Imperador? E ai, notaram as semelhanças?

O Flamengo, um gigante no nome e no número de apaixonados que o cercam, viu seu império conquistar dimensões após suas grandes conquistas. Mas nos últimos anos uma queda brusca reinou sobre a Gávea. Ameaças de rebaixamentos, crises internas, rendimento fraco nas competições nacionais e internacionais, défict financeiro… Só restava as alegrias nos regionais… Alegria que virava rotina fazendo com que seus torcedores almejassem um algo a mais. E como a voz do povo é a voz de Deus, o rubro negro trouxe de volta ídolos e junto deles a sorte e bom futebol voltaram. O Imperador voltou pra trazer a luz que faltava ao império. Luz que não resplandece há 17 anos… (Chegou a hora?)

O apagão também tomou conta do Botafogo nos últimos tempos. Desde 95, depois daquela final conturbada contra o Santos a equipe somou fracassos, tendo os holofotes a não como gostaria. Há anos não disputa uma Libertadores, viu uma Copa do Brasil ser perdida contra o Juventude (com todo respeito), teve de disputar uma série B. Para os mais velhos aquele velho bordão de “que tem coisas que só acontecem com o Botafogo” é atual, ou melhor eterno. Cair duas vezes em uma mesma década pode ser uma destas coisas, para aflição de seus torcedores. Independente da circunstância, um fator endêmico que marcou os cariocas nos últimos dez anos é a visível queda de rendimento. Discutir o que os levou a esse descenso é como chover no molhado. Já sabemos.Temos é que destacar um ano que pode ser altamente positivo ao Império Carioca. Sim, é a chance de todos ficarem felizes, claro, que cada um ao seu modo. Os botafoguenses e os fluminenses com a permanência na Série A. O Vasco com a sua volta magistral a elite. E o Flamengo com a conquista do nacional. No entanto, as semelhanças com aquele império já antes citado persistem. Vemos o império gaúcho parafraseando guerreiros inimigos que tinham como características seus trejeitos brutos nas batalhas. O Inter clama: “Irmãos tricolores, honremos nossas tradições e lutemos pela nossa república rio-grandense”. O Colorado espera que por justiça o título de 2005 que por um golpe de mágica não veio, seja vingado. Já com o Grêmio é diferente. Desmotivado e tendo em jogo a rivalidade e o desejo de boa parte de seus torcedores, a ordem é uma só: jogar a toalha na Batalha do Maraca. O temor dos torcedores é que se ascenda um chama de vingança de 82 , quando o matador Nunes calou os tricolores levando o Mengão a mais uma conquista.

Queda é uma palavra que reflete bem o Palmeiras de 2009 até o presente momento. Foi assim no Paulista onde chegou com pinta de campeão na segunda fase mas viu seus seus planos irem por água abaixo após um incomodo espinho no caminho. E de peixe. E o que dizer da queda diante do fraco Nacional nas quartas de finais da Libertadores mesmo depois de  uma vitória briosa contra o Sport dentro da Ilha do Retiro? Não sei, talvez Deus esteja mesmo reservando algo de bom a estes atletas e a torcida alviverde, que viram uma súbita queda de rendimento num Brasileiro que já poderia estar ganho. O Palmeiras perdeu confiança, perdeu a gordura, a ressaca do Penta que poderia estar durando já semanas, mas não pode perder a fé, cabe aos atletas ao menos acabarem o ano dignamente com uma Vitória sobre Fogão, e de repente quem sabe….

Queda que o torcedor do São Paulo não está lá digamos muito acostumado – exceto nas últimas Libertadores – e que não consegue digerir. O sonho do tetra ficou alguns anos luz do Morumbi após a derrota para o Goiás no ultimo domingo… Mas não os dê como derrotados, afinal, o Jayson costuma surpreender…!

Arenas montadas, guerreiros de pés. Chegou a hora torcedor! Saquem as suas armas, façam as suas orações, pois o Campeonato mais disputado da história será decidido logo mais, onde apenas um terá seu reinado expandido, enquanto outros sairão aos frangalhos de mais essa jornada. Boa sorte a todos!

nov
28

Esqueçam os prédios luxuosos. Isso tudo não existe. É mera alegoria idealizada por uma utopia sem limites na qual sempre confiamos. Acreditamos piamente que o leão sempre foi o rei da selva e o maioral dentro da cadeia alimentar… Eu sou um destes iludidos. Mas pra nossa surpresa com o passar do tempo, um novo bicho passou a ser o poderoso neste ciclo perene, onde os mais fortes tendem a se sobressair perante aos mais fracos. Senhoras e senhores, eu lhes apresento: O ser humano!

Pois é, não há ninguém que possa com nossa espécie. Somos as bestas e também os bestiais. Só obedecemos nossos superiores, e mais ninguém. Somos os donos do mundo e ponto final! Aqueles que inda e vinda estão mandando um sonoro “fodá-se” a tudo e a todos.

E toda nossa antipatia já vem de tempos. Isso desde os selvagens homens das cavernas. Nós somos o mal necessário da humanidade. Se por um lado inventamos o fogo, por outro o usamos de forma errada o que culminou na destruição de parte de nossa flora e de comunidades inteiras de nossa fauna. Com o advento da Revolução Industrial então, só serviu para confirmar esta premissa. Nessa época começou o Deus nos acuda – o bater o ponto de cada dia -, onde a individualidade do “bicho homem” manifestou-se por inteira, junto a gana de lucrar, excluindo por completo todo nosso senso de racionalidade que ainda nos restou. O documentário “A Ilha das Flores” (1989) traduz bem todas as perversidades do homem – seja visando lucro ou mesmo seu bem estar. “Cacife” para sermos o Don Corleone desta máfia terráquea certamente nós temos, afinal, somos todos providos de um telencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor – como vemos no filme -, que é o que nos difere das demais espécies.

O lucro chegava e o bicho homem gozava de suas benesses, não se importando nenhum pouco com a natureza – e não me venham com essa hipocrisia de PAZ VERDE e SUSTENTABILIDADE, sinto muito mas agora é tarde – e nem com outros seres vivos. Ele devastou florestas inteiras, abalou todo equilíbrio de um planeta, de milhões de espécies e para sua infelicidade, da sua própria existência. Quem os parará??? Talvez o aquecimento global, um mal bem menor que enfrenta outras espécies. Se compararmos nossa situação a de um urso panda, não é exagero dizer, mas estamos na sala de espera de um plano privado de saúde, diferente do pobre gigante de pelos que respira em uma UTI das mais chinfrins por ajuda de aparelhos caindo aos pedaços.

Nós temos o tal telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor, até lá é provável que inventemos algo para contornar nossos erros de antemão… Diferentemente do pobre porquinho residente da Ilha das Flores – o lixão a céu aberto no RS que dá nome ao filme -, que não tem essa capacidade de construir. O grande temor do porquinho não é ter seu habitat ameaçado, nem ao menos desaparecer, mas sim perder o seu valioso sossego em algo que seria só mais uma simples refeição provinda de restos dos seres humanos.   Digna de uma batalha sangrenta, porcos desafiam mulheres e crianças sedentas – elementos estes que figuram em uma hierarquia suja e descabida de valores -, cuja fome e o desespero são vistos a olho nu. Vejam só, mas que ironia essa do destino: o pobre porco cuja liberdade se resume em um minúsculo chiqueiro no qual os homens construíram e tomam conta; ele que muitas vezes se fez de alimento de seu dono (este mesmo homem), hoje tem que dividir suas fétidas migalhas com nada mais nada menos que o bicho homem. É o mais puro retrato da cadeia alimentar. É a cadeia alimentar 2.0, onde você compra feito, “dá bola ao chão” e que vença o mais forte. Bem menos inovadoras, mas com o mesmo grau de emoção, estão as disputas entre raquíticos bovinos e sertanejos por esse Brasil afora. Não há mais afetividade, respeito ou coisa e tal. Aqui a sobrevivência fala mais alto! Esquecemos até mesmo que temos mais cérebro que o doce suíno, sem esquecer que há controvérsias quanto a isso, desde os tempos do hilariante “A Revolução dos Bichos” de George Orwell…

A Ilha das Flores é a mais pura realidade enfrentada por tantas outras “ilhas” do Brasil – carentes de “coqueiros, sombras e água fresca”- subsidiadas pelo homem, que manda e desmanda como bem entende, fazendo reféns não somente os porcos, como também seus semelhantes. Já dito no início, o homem é o mal necessário da humanidade. Fomos necessários até o ponto em que construíamos e preservávamos. A partir do momento em que nossos equívocos se sobrepuseram a beleza e a complexidade de um Machu Picchu, não vejo mais razão para sermos os tais donos do pedaço. Não concordam?

Tristes estão os porcos, os pandas, o Criador – que vos concebeu o tal livre arbítrio – e não menos estão os maias, que são obrigados a ver sua previsão virar entretenimento e giro de capital. Chegamos ao limite de nossa vergonha. Zombamos até de nossa desgraça futura… E com essas e outras que eu me abstenho publicamente de tais poderes que me foram concebidos e, continuarei com minha velha opinião de que o leão ainda é o rei desta selva. Ao menos, até que esta se canse de existir!

out
23

poltergeist_cn

Talvez se Caroline – a doce menina do filme do filme “Poltergeist” – não fosse tão inocente não teria sido “sugada” pela TV e pelos espíritos que ali habitavam. Se fosse sagaz como Ester de “A Órfã”, provavelmente não teria passado por maus bocados. Controvérsias a parte, Ester representa o novo perfil das crianças de hoje. Aquelas que a cada dia surgem mais maliciosas e independentes… Esta liberdade acentuada é o que resulta na chegada precoce da juventude. Pra nossa sorte, a infância ainda perdura. Em outros moldes, mas ainda firme. Percebi isto no primeiro dia em que compareci a uma creche na qual realizarei pela faculdade um trabalho com crianças de cinco anos.

No começo aquele clima de tensão, derivado do medo da aceitação. Até que abre-se as porteiras e as ferinhas saem a disparada a nosso encontro. Num primeiro momento um silêncio paira no ar. Um clima chato, mas acreditem, iria sentir falta daquele silencio…

Passados quinze minutos as ferinhas já haviam perdido toda vergonha e quando menos percebemos já haviam se soltados.

“Tio, ele puxou meu cabelo!

Não pode brigar, vocês tem que ser amigos! Peçam desculpas!

Não, dele não, amanha também vou trazer um monte de brinquedo e não vou deixar ele brincar…”

Por mais que façamos é difícil acalmar os ânimos alheios. Enquanto amparo um grupinho, outro já se põe a aprontar. Boto as mãos na cabeça. O que faço agora? Viu, cadê meu boné?! (risos)

O que me consola é o fato de saber que um dia estes provavelmente vão tomar juízo, ter emprego, família (…) e ainda assim continuarão sendo crianças…! Mesmo que soe como contra-senso, acreditem: todos ainda somos “niños”- especialmente para os nossos pais.

Querem ver?

Quantas vezes você, deixou de ligar para aquele amigo, simplesmente por orgulho ou algum sentimento do tipo?

Vira e meche você faz uma birrinha para conseguir o que quer, não?

É fã incondicional de doces. Certo?

E não para por aí não. Somo crianças e ponto final. Especialmente os tidos caudilhos. Estes, nós sabemos que tem o seu clubinho – com suas regras e objeções – como toda a gurizada têm ou sonha em ter. Ali, em sua fortaleza, eles trocam singularidades, traçam metas e pouco a pouco vão descobrindo seus devaneios. Ah, e acabou essa de “menina não entra”. Hoje entram e participam dos festejos. Claro, novos tempos, novas idéias, e por ai vai…

A criança é melindrosa quando precisa. É inteligente por natureza. Está sempre bem humorada. E mostra-se extremamente protetora diante de seus chegados. Mas também sabe ser mentirosa, maldosa e briguenta. Trocam farpas e, quando menos se espera, já estão juntas novamente como se nada tivesse acontecido. Mesmo “sem querer querendo”, elas mentem, aprontam das suas, caem na gargalhada, e por fim, pedem desculpas, o que nos enternece e nos faz perdoar novamente.  E para mostrar que não ficaram ressentimentos, as levamos para passear. Quem sabe depois role um jantar. Pizza? Claro, porque não?! Com direito a sobremesa dessa vez!

Ela cativa, mas também gera prejuízo – seja filho do pobre do rico -, quer sempre o melhor e o mais vistoso. Bancamos sem hesitar, afinal, trabalhamos sempre em prol de seu bem estar!

Fidelidade. Isto ela carrega consigo a qualquer custo. Mesmo que isto vá lhe custar sua integridade. Quando tem parentesco no meio então,  vira uma víbora.  Ela é assim, amiga e leal. Está sempre disposta em ajudar e retribuir favores. Mais o que mais me instiga, é que ela está sempre aberta a novas amizades!

Brincadeira é sua religião. Brinca até rasgar o calção. Pega-pega, pular corda, pique bandeira, uma porção de diversões para seu repertório. Ta, mais porque excluir uma brincadeira tão saudável como polícia e ladrão?! Me esqueci, os tempos são outros. Bem, ao menos ela não perdeu essa vontade louca de brincar. Brinca tanto, mas tanto, que se machuca. Às vezes até se queima. Porque não ouviu nosso conselho? Agora chora, é?

Bicho papão? Homem do saco? Boi da cara preta?  Que nada, isto pra ela é mera alegoria. Na próxima festa, já disse que quer palhaços para animar a todos. É mole?

Poucas coisas lhe afligem. Seu maior temor em vida certamente é um dia ter de perder as mordomias e o caloroso aconchego dos “ pais” (…).

E aí, notaram alguma semelhança???

Aleluia! Encontrei meu boné depois de uma longa espera. Estava com aquele garoto travesso, que me causa a leve impressão de ter um ralo bigode sobre a face… Será? Espero de coração que tamanha excentricidade seja apenas uma reles miragem de minha parte.

out
14

Tempo

Dois mil e catorze. Dia 30 de Junho, 5 e 30h da tarde. Mas um dia estressante que se vai na vida deste  renomado e cansado profissional! (risos) Cansado porém orgulhoso. Afinal, tenho tudo o que alguém gostaria de ter: Saúde, uma família magistral e amigos únicos. Uma bela namorada,  independência financeira, reconhecimento no trabalho.  O que mata é o tempo escasso . Mas da pra levar. Caramba,  já são quase 6h. Vou comer algo voando e partir para academia. De tão desgastante o dia de hoje, mal  vi a hora passar…  Só mais 10 min pra assinar o ponto, não agüento mais ouvir esse som infernal do teclado alheio.  Preciso ir embora.

Saio da academia: missão comprida! Chego às 7h e meia em casa. Tomo um banho rápido e durmo até as dez. (eu mereço!) Ao acordar pretendo ler o jornal do dia. E quem disse que eu leio? O telefone toca. Minha namorada quer me ver. Faço este esforçinho (?)! Em meio aos afagos toca o telefone. Oh não! É o chefe. Obaaa, um furo de reportagem se aproxima! Saio à disparada ao local do incidente. Por ironia do destino sou baleado no fogo cruzado. O tiro passa de raspão, deixando-me inconsciente. Terei de ficar alguns dias de molho.

Em casa, só no bem bom. Quero mais o que?! hehe! Quer saber, chega de marasmo, hoje vou arrumar as coisas…! Em meio a toda a bagunça encontro no meio de uma velha pasta preta alguns textos, dentre eles este aqui:

Profissão de repórter fotográfico não é fácil. Tem de ser cara de pau. Falar ao fulano que a foto dele vai sair no jornal é normal. Dizer que sou de uma agência de modelos já ta virando hobby! (risos) Sim, às vezes mentir é preciso! Além de toda lábia, é preciso saber manejar seu instrumento de trabalho… Flash, Diafragma, Fotômetro … Ai, chega de nomes! Também é necessário ver o melhor ângulo. Projetar a melhor foto. Faculdade, excepcionalmente com um grande evento. Um calor danado. Gente da casa e também de fora. A cada foto vejo um semblante diferente. Flash vai, flash vem, e começo a filosofar. Aquela sintonia de olhares e sorrisos faz-me sentir um Focault do século XXI… (risos) Me ponho a pensar e, diante de tantas luzes e silhuetas percebo o quanto o ser humano é generoso. Vi pessoas se sujeitando a tais situações embaraçosas só para agradar o amigo. Nada como um sorriso forçado para agradar aquele amigo perfeccionista. Feita minha missão, chego em casa e abro uma dessas redes sociais e vejo algumas fotos antigas de um velho conhecido junto de sua trupe de velhos tempos. Como mudaram…  Caras de adolescentes recém-saídos da puberdade. É algo bonito de se ver!  Afinal de contas, passei por todo este ciclo também. A vida passa, e nem se quer percebemos. É difícil pensar que a cada batida no teclado minhas células estão envelhecendo e  consequentemente estou ficando mais velho … E cada vez mais próximo do “happy end”.

Sabe, estou até com vontade de tirar uma foto minha deste momento, colar neste texto para que só daqui uns dez anos eu possa ver quanta coisa mudou…

Mas o que queria mesmo é não ter deixado passar momentos importantes que vivenciei. Pessoas importantes que marcaram minha jornada. Sejam com alegrias, tristezas, conselhos… Enfim, que me ajudaram a ser o pouco que sou hoje.

Ah, como queria ter usado essa máquina que aqui está para ter registrado meu primeiro porre, meu primeiro beijo, as confusões que tramávamos na infância. O primeiro dentinho de leite, a primeira palavra, o primeiro choro por manha. Nossa, quando lembro o meu primeiro dia de aula à nostalgia bate forte. Lembro que fui com aquele medo  peculiar em uma criança que nunca tenha frequentado uma sala de aula. Sentei-me perto da janela, na primeira carteira – coisa da minha mãe. O tempo foi passando e a professora me fez pegar gosto pela coisa – apesar dos reveses que o tempo me proporcionou frente ao quadro negro. Tempo que ás vezes é ingrato e impiedoso, que nos tira pessoas que amamos sem a mínima consideração. Daria tudo para ter em mãos fotos dos últimos momentos com meu pai. Daquela conversa no sábado a noite! Da última vez em que fomos a casa do meu avô. Do farto almoço dominical. Dele saindo com aquela camisa branca naquela segunda-feira cedo, fechando o portão e partindo para o trabalho…  Quando penso aquela seria a ultima vez que o veria, sinto uma dor imensa no peito. Se previsse o que estava por vir com toda certeza teria lhe abraçado muito – abraço que como o dele nunca mais verei – e diria o que devo ter dito pouquíssimas vezes em toda minha vida:

TE AMO PAI! Em seguida tiraria aqueeeela foto para guardar de recordação!

As fotos deste meu conhecido me fizeram refletir sobre as oportunidades únicas que deixei de registrar com a minha galera. Forçadas ou não, valeria a recordação. Hoje muitos nem sei aonde andam, outros o tempo e a “natureza” fez questão de afastar, e os que continuam com a gente tem o mesmo sentimento de culpa que emana em mim. Sei que não éramos como aquelas famílias de comerciais de manteiga, mas éramos uma família – com defeitos e qualidades. Infelizmente o tempo é assim. Cruel, irreversível e muitas vezes até irreal. Parece que foi ontem que aquela tarde de domingo junto ao meu velho ouvindo a vitória do Palmeiras sobre o São Paulo. Bem talvez seja…

Hoje estou mais maduro e mais consciente – com um fardo maior para carregar -, e certamente mais arrependido por ter deixado de guardar tão belas recordações como estas. Um tremendo contraste entre o útil e o imprestável – que sempre fiz questão de deixar lacrado a sete chaves juntando pó (…)

Se estiver vendo esse texto hoje, não o ignore, pois seu presente nada mais é que o fruto de seu passado, que consequentemente alimentará seu futuro!

Tamanho desalento só me reforça a idéia de que a história se repete a cada dia em um deja-vu sem fim. Deja-vu que pretendo dar um basta, eu e tantos outros presunçosos iguais a mim, que confiantes em nossas memórias, ousam subestimar a pouca – porém existente – tecnologia feita para o bem que ainda nos resta.

set
06

Uma singela homenagem nossa ao dia do Sexo:

4

A Cópula

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: – “Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!”
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira